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segunda-feira, março 23, 2009

Produzindo sua propria Stout - Partes 2 e 3

Olás,

pois é, com tanto pra fazer, não consegui manter o blog atualizado com o andamento da cerveja. Então aqui vão as partes 2 e 3 ao mesmo tempo. Pra quem não se lembra, a gente começou a fazer uma Stout no dia 22 do mês passado, um domingo. Na quinta-feira seguinte, eu postei mostrando que a fermentação já tinha começado.


Parte 2


Alguns dias depois, na segunda-feira seguinte, a gente teve que mudar a cerveja do balde de fermentação pro carboy (esse galão de vidro). Uma coisa que eu não disse da outra vez é que tudo que entra em contato com a cerveja depois de cozinhar tem que ser sanitizado, pra que não tenha perigo de estragar. Pra isso, a gente usa esse liquidozinho meio marrom em tudo. Nessa foto vocês podem me ver limpando o carboy e o caninho de molho no sanitizador.



Daí o próximo passo é abrir o balde pra ver como tá a cerveja. É um saco abrir o balde porque a tampa dele é super bem fechada. Mas olha que beleza! Um pouco da sujeira da fermentação fica pras bordas (dá pra ver que a cerveja subiu durante a fermentação) e a grande maioria fica no fundo.



Agora a gente usa o caninho pra puxar a cerveja pro carboy, no estilo de tirar gasolina do tanque do carro. A parte que vai no balde é mais firme e o grampo azul permite ajustar pra pegar só a parte limpa da cerveja, deixando no fundo a sujeira (que vai pro meu jardim também).



Outra coisa que esqueci de mencionar é que a gente usa um hidrômetro pra ter uma idéia de quanto álcool tem na cerveja. Da outra vez, antes de colocar no balde pra fermentar, a gente mediu a cerveja como nessa foto, e estava com 6% de álcool potencial (ou 1.045 gravity). Isso serve somente pra comparar com o valor medido depois da fermentação.



Como vocês podem ver nessa foto, depois da fermentação a cerveja estava com uns 2,5% (1.020). Isso significa que a fermentação gerou 6 - 2,5 = 3,5% de álcool. Durante o tempo que a cerveja fica no carboy ela tem uma segunda fermentação que pode aumentar esse teor. Mas na prática, na nossa experiência, a segunda fermentação não faz muito, e o teor final é mais ou menos esse.




Parte 3


Alguns dias no carboy e é hora de engarrafar. E haja garrafa! A gente tem feito um esforço danado de beber um monte de cerveja pra juntar garrafa. As melhores são da Grölsch, porque tem tampinha própria e não gastam nossas tampinhas, além de ser mais fácil de fechar. Mas o mais chato mesmo é limpar todas essas garrafas e depois ainda sanitizar com nosso liquidozinho mágico. Aqui um close de algumas garrafas.



Aqui tá o carboy cheio depois da segunda fermentação. Usando o mesmo processo de puxar gasolina, a gente passa a cerveja do carboy de volta pro balde.



Enquanto vai passando pro balde, a gente vai adicionando o açúcar final, ou "prime sugar". Esse serve pra carbonatar a cerveja, pra ficar "com gás". E não é que tá começando a parecer com a Guinness?? Na ja, o gosto tá bom já (dá pra tomar um golinho), mas não vai ser Guinness não. Tá mais pra uma Imperial Stout (o que é bom também!).



Agora tem que engarrafar. A gente usa uma outra ponta que encaixa no caninho. Nela tem uma pontinha de plástico que, quando a gente aperta no fundo da garrafa, deixa líquido passar. Daí é só fazer pressão (de novo, como passar gasolina) e ir enchendo cada garrafa. Nessa foto a gente tá enchendo a nossa "garrafa VIP", de 2L, que a gente comprou numa cervejaria em Albany, a Pump Station. Só existem 2 dessas garrafas disponíveis aqui, senão ia acabar muito rápido nossa produção ;-)



Finalmente falta só tampar! Pras garrafas que precisam de tampinha (todas menos as Grölsch e as VIP), a gente precisa comprar tampinhas virgens, ou seja, não servem tampinhas usadas. Aliás, também não é muito bom usar garrafa com aquelas tampinhas sai-fácil, com rosca. Elas podem quebrar no nosso tampador arcaico, e também podem ficar mal fechadas e estragar.



Pois é, isso foi terminado dia 8. No fim de semana que vem vai fazer 3 semanas que elas estão na garrafa, então já vai dar pra provar uma! Eu mantenho vocês atualizados!

Abraços!
Bart

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Produzindo sua propria Stout - (Guinness?)

Como alguns de vocês sabem, no ultimo natal eu e a Fran nos demos de presente uma fabriquinha de cerveja. É o nosso novo Hobby predileto. Como diz um amigo meu, se eu não sair aqui do Canada como PhD, pelo menos saio Mestre Cervejeiro. Bem, tudo que eu tô falando aqui é como eu entendo. Depois eu tenho que perguntar pra verdadeira Mestre Cervejeira, a Fran, se eu falei alguma besteira ;-)


A nossa primeira cerveja foi uma Belgium Ale. A gente acha que ficou até que boa (pelo menos o pessoal aqui tomou todos os 18L produzidos). Agora (começando domingo passado), na nossa segunda rodada, estamos fazendo uma Stout. É um tipo de cerveja bem escura e um pouco amarga, meio que parecida com Guinness. Nós estamos documentando o processo pra vocês verem que não tem tanto segredo assim. Além de ser divertido, a cerveja acaba saindo mais barata do que comprar no monopólio do LCBO aqui. Vamos aos passos.

Primeira coisa que precisa é de uma panela grande cheia d'água. Na nossa panela cabem uns 9 galões, mas a gente produz em geral 5 galões de cerveja (uns 20L). Pra isso, a gente põe uns 6,3 galões de água, porque um pouco evapora, um pouco se perde em medições e um pouco se joga fora (o restolho no fundo da panela). A qualidade da água em uma cervejaria enorme não faz muita diferença, mas quando se faz somente 20L, é importante pelo menos filtrar a água. Isso é a parte mais chata, pois a gente só tem um filtrinho de mesa aqui, e passar 20L nele demora um certo tempo.



Com a água fria ainda, a gente coloca uns grãos em uma espécie de meia e começa a cozinhar. Essa mistura contém o que eles chamam de "specialty grains", e é o que dá o gosto principal da cerveja. Nesse caso, nós temos vários tipos de cevada e malte, e como a cerveja é escura, tem cevada bem torrada.



A gente cozinha a água mexendo bem os grãos pra soltar bastante sabor na cerveja. Tem que acompanhar a temperatura de perto, porque se passar de 170oF (uns 76oC) os grãos soltam uns taninos que deixam um sabor adstringente na cerveja. Quando dá 165oF, a gente tira o saquinho e continua a cozinhar até ferver.



Os grãos cozidos não servem pra muita coisa, mas eles são ótimos pra adubar. Como a gente tem uma composteira, eu guardo pra misturar com lixo orgânico e terra pra plantar minhas pimentas no verão.



Quando começa a ferver, a gente tira do fogo e adiciona a mistura de extrato de malte seco e lúpulo. Na verdade nessa parte tem bem pouco lúpulo e o malte é o que dá carboidratos pra fermentação.



A gente tem que tirar do fogo porque esse extrato é super difícil de misturar e ainda por cima faz a água transbordar (como leite quente). Eu gosto de usar esse negócio de bater bolo pra ajudar a misturar o extrato. Quando tá bem misturado, a gente volta pro fogo e faz ferver de novo. A partir do momento que ferveu, a gente cozinha por 1h.



Como 1h é muito tempo pra ficar esperando sem fazer nada, uma boa dica é fazer alguma outra atividade culinária. Como você já tá sujando a cozinha inteira e vai ter que limpar tudo do mesmo jeito, é uma boa oportunidade pra sujar mais. Dessa vez a gente resolveu fazer uma espécie de Tiramisu com bolachas champagne molhadas em café e cobertura de chocolate com mascarpone.



Como vocês podem ver, o negocio ficou bonito. Vai curar a ressaca, com certeza.



Bom, depois de 45 minutos cozinhando, é hora de colocar o lúpulo e o tabletinho clarificador. O lúpulo dessa fase é chamado de "flavoring hops", pois ele que dá o sabor amargo da cerveja. O tabletinho serve pra ajudar a decantação e deixar a cerveja mais clara.



Pra quem tem curiosidade de ver como é o lúpulo seco, aqui vai um zoom do potinho. O lúpulo dá em uma espécie de parreira e esses grãozinhos são ressecados e espremidos nesse formato de cocozinho.



Ao mesmo tempo que a gente põe o lúpulo (aos 45 minutos de cozimento) a gente também põe esse chiller. Essa serpentina a gente usa depois pra esfriar a cerveja e põe agora junto pra esterilizar junto com a cerveja. Aos 58 minutos, faltando só 2 pra acabar, a gente põe mais um pouco de lúpulo, o chamado "finishing hops", que é mais pra deixar um bom aroma na cerveja.



Agora o negocio é esfriar a cerveja o mais rápido possível. E também proteger pra não entrar nenhum tipo de "wild yeast", ou seja, leveduras que estão por aí no ar. Se elas contaminam a cerveja e fermentam antes da levedura que você quer, a cerveja estraga. Se você não tem uma serpentina, dá pra colocar gelo ao redor da panela (ou neve), mas demora um monte (1h pelo menos). A gente passa água gelada na serpentina e demora uns 20 minutos pra voltar dos 100oC pra uns 27oC.



Próximo passo é tirar a cerveja da panela e colocar no balde de fermentação. A gente mandou instalar uma torneirinha na panela pra ficar mais fácil. Nessa hora tem que fazer a cerveja descer misturando bem, pra introduzir bastante ar pra levedura. É a única hora em que é bom oxigenar a cerveja. Em seguida a gente joga a levedura por cima da cerveja. Infelizmente essa foto ficou faltando, mas existem basicamente dois tipos de levedura. Da outra vez a gente usou levedura em pó. Dessa vez a gente usou levedura líquida, que demora mais pra fermentar, mas deixa a cerveja mais cremosa (e a gente quer ver se parece com Guinness, que é bem cremosa).

Edit: uma coisa que esqueci de dizer é o que fazer com o que sobra na panela (no fundo fica uma mistura de grãos cozidos). Eu também junto com os grãos da primeira parte e vira tudo adubo. Tudo se aproveita!



Último passo do dia é tampar o balde e colocar o "airlock". É uma tampinha de plástico em que você coloca água dentro. Ela serve pra deixar sair ar resultante da fermentação, sem deixar ar externo entrar (que traria wild yeasts). Ele também serve pra você saber quando a fermentação começou e terminou, de acordo com a agitação na água.



Quando a gente usou levedura em pó, a fermentação começou no dia seguinte. Dessa vez só começou hoje, quinta feira. Essa ultima foto mostra o airlock com as bolhas resultantes da fermentação. Agora eh só esperar diminuir a fermentação pra passar pro próximo tanque.



Espero que tenham gostado de aprender como fazer sua própria Stout. Nos próximos dias nós vamos continuar o processo e eu vou postando as fotos aqui. Daqui cerca de 1 mês vamos saborear o que quer que saia dessa brincadeira (tomara que pareca Guinness ou algo próximo!).

[]s
Bart

sexta-feira, janeiro 23, 2009

Eita tempinho

Uns meses atrás a gente (eu, Fran e mais 5 amigos) planejamos passar um fim de semana na Blue Mountain, um resort de ski que fica umas 2 horas daqui. Nós alugamos um chalet no Cedars Resort, que fica uma meia hora de lah. Assim a gente fica num lugar um pouco mais isolado, mais bacana e mais barato. A idéia é esquiar na Blue Mountain um dos dois dias (provavelmente sábado) e no outro fazer cross-country ski e/ou ir numa piscina aquecida aberta (vários graus negativos e a galera na piscina!).

Mas pra variar, São Pedro resolveu não colaborar. Olha só o gráfico com a previsão do tempo pros próximos dias.



Como vocês podem ver, a temperatura estava amena até hoje (cerca de -4, -5). Mas amanha a coisa começa a esfriar. Sábado, bate em -16 (de temperatura!! Com o vento, fica sensação térmica de -23!!) e domingo continua por ali (-15 talvez). O pior, é que segunda começa a esquentar denovo! Ou seja, o frio absurdo, que atrapalha pra esquiar, vem exatamente no nosso fim de semana!!

Vamos ver o que vai rolar de fazer. Qualquer coisa, vamos ter que ficar no chalet tomando vinho e fazendo fondue mesmo...

[]s
Thiago

quinta-feira, dezembro 13, 2007

Post (semi) Inutil

Nao aguentava mais aquela foto na capa! Entao vao aqui algumas curtas:

- Num pais em que o orcamento pro ano nunca sai antes do ano comecar (jah pararam pra pensar quao ridiculo eh isso?), pelo menos acabaram com a CPMF!!! Foi a 2a melhor noticia do ano, depois do rebaixamento do timeco!
- Procurando emprego na area de TI? Uns amigos meus do Log4Dev criaram um novo site pra isso, o Job4Dev. Eh bem simplesinho, e esse eh exatamente o objetivo.
- Nessa semana fui 2 vezes fazer snowboard. As primeiras descidas sao no minimo pateticas, mas depois a gente vai pegando o jeito. O que mais sofreu foi meu pescoco... torcicolo enorme depois de cair torto algumas vezes. Pelo menos eu to seguindo o manual do ridiculo a la Jamaica Abaixo de Zero e to usando capacete (hoje eu vi um velhinho que tambem usa).
- Clan Bartolomei deve chegar proxima sexta. Prontinhos pra, como diz o Johnny, "dar uma de Auslaender". Soh nao vale tentar comer neve.

Buenas, eh soh!
[]s
Bart

sexta-feira, janeiro 26, 2007

Salve-se quem puder

To indo pra casa.
De bike.
Rezem por mim.

[]s
Bart



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Resolvi editar aqui mesmo porque eh a continuacao desse post.

Sim, cheguei vivo. Mas desta vez eu fui mais esperto. Eu peguei o cachecol e nao coloquei em volta do pescoço, mas fiz como uma mascara, tampando ateh o nariz. O gorro tampava a minha testa e somente os olhos ficavam de fora, quase como um ninja. Assim, meu nariz nao congelou, chegou sao e salvo. Mas eu aprendi uma nova licao nessas terras aqui. Acreditem ou nao, os cílios também podem congelar, especialmente andando de bike (por cause do wind chill). No começo eu senti que tinha alguma coisa errada. E de repente eu nao conseguia mais piscar direito, pq os cílios congelaram e começaram a grudar os de cima com os de baixo. O unico jeito mesmo foi passar a mao, pra quebrar uns gelinhos e daih ficar piscando bastante pra molhar os cílios com lágrimas e tentar fazer com que eles nao congelem.

Mas agora esquentou. Hoje tah -1.

segunda-feira, janeiro 22, 2007

Uma sutil diferenca

Como vocês devem saber, a Villa como entidade física se acabou. Ou melhor, se dividiu em varias. Depois de algum tempo sem escrever eu finalmente coloco um post da mais nova filial da Villa, agora em terras um pouco mais congelantes. A minha nova morada eh a casa nessa foto com o saco azul pendurado. Na verdade eh "meia casa", pois eh da coluna ateh o fim da primeira janela pra esquerda.



Bem, vocês devem estar perguntando o que o título desse post tem a ver com isso. Acontece que no ultimo sábado eu fui com um amigo a um Pub local, pra fazer o que o pessoal aqui faz, assistir a um jogo de Hockey. Legal, nosso time tomou de 8x2, mas tudo bem, foi engraçado.

A sutil diferença que eu to falando aconteceu quando a gente tava voltando pra casa. Uma leve caminhada de uns 20 minutos. No meio do caminho o meu nariz começou a cocar e depois de um tempo a doer. Mas doia por dentro, nao era na ponta. Entao eu percebi que ele tinha parado de escorrer. Todos os meus líquidos do nariz estavam congelados. Os pelos internos do nariz tinham congelado e pareciam pequenas agulhinhas espetando por dentro. Então eu descobri a sutil diferença entre os -5 a -10 graus que eu estava "acostumado" na Alemanha, pros -20 e tantos daqui. Assim que chegou em casa, o Andre, que estava comigo, tirou um screenshot da pagina do tempo. Olha que delicia.



No dia seguinte eu fui ateh a universidade e no meio do caminho tirei essa foto. Jah tava bem mais quentinho, acho que uns -12 ou coisa assim. Daih meu nariz nao congelou. Mas o lago sim. No dia anterior eu nao tava conseguindo identificar onde que comecava o lago, mas esse cara aqui sabia muito bem e ficou um tempo tirando a neve pra poder jogar Hockey. O povo encarnado... e eu ateh to comecando a entender esse jogo!

Abracos,
Bart