terça-feira, outubro 10, 2006

texto n. 18 (Sao Jorge é matador de dragao, mas nao trouxa)

Jorge sempre foi um cara gozado. Desde cedo sempre fez jus à fama de “São Jorge – o matador de dragões”. Claro que não era proposital, simplesmente acontecia. O pior é que sempre estava com seu amigo Carlos, parceiro de noitadas que fazia questão de anotar e espalhar para todos as desventuras do nosso herói bíblico.

Na ultima noite saíram juntos, mais uma vez, para uma festa universitária.

- Vai ter mulher pra caralho. Farmácia! Sinaliza Carlos

- Com certeza. Melhor que Farmácia só Pedagogia. Conclui Jorge.

Depois de algumas latas e vinho de garrafão, lá está Carlos se dando bem com uma mina.

- (Porra, o bixo já se adiantou. Não posso ficar atrás). Pensa Jorge, a essa altura já de olho em uma gordinha perto dele.

- (Essa ai é gordinha, mas tem cara de safada. Melhor do que ficar no zero a zero. Já peguei piores). Raciocina, partindo pra cima.

Papo vem, papo vai e começa a catação.

- (Tinha razão, essa mina é safada mesmo. Pelo que entendi ela mora aqui perto. Melhor assim, não tenho que gastar com táxi). Ainda no seu jogo de levá-la o mais rápido para a cama, com o menor custo e tempo preciso.

- Olha Jorge, gostei de você. Você me deixa com muita tesão, mas não vamos transar.

- (O que ela está me falando?) ok...

- Eu SEI que você vai insistir. Eu SEI que você vai perguntar o por quê...

- ("Por quê"?? O que essa gordinha ta querendo dizer? Acho que ela quer jogar, então beleza) Ok... Não vou insistir e nem perguntar. Vivemos em um país livre (ah... mereço um Oscar!).

- Sério? Você não quer nem ao menos saber o por quê?

- (há! Sabia! Se fazendo de difícil, para eu entrar no jogo de perguntas e insistências) Não.

- ... Mas eu falo mesmo assim. Não tem nada a ver contigo. É que sou da Igreja Batista, e só posso transar depois de casar.

- (Que merda ela está me falando?) É isso mesmo? Não estás de gozação?

- Não. Já pequei nessa vida e me arrependi. Sei que é difícil, mas está na bíblia.

- Então a gente leu bíblias diferentes, a que conheço só diz “crescei e multiplicai”.

- Você conhece a bíblia?

- Minha família é católica (sua crente do caralho).

- Então... na minha está escrito que o corpo é sagrado, e que devo esperar o casamento para concluir essa comunhão. Mas eu sei que você ainda vai insistir nesse assunto. Todos os homens são iguais.

- (putz... além de crente é recalcada) Não, não vou insistir. Na verdade estou até saindo fora. Prazer em conhecer.

- Você já vai (sem nem insistir um pouquinho???)?

- Sim. Tchau Tchau (posso ser “São Jorge”, mas não trouxa).

Sem ainda entender a dispensa e a não insistência, ela se aproxima de Carlos.

- O Jorge é teu amigo?

- Sim.

- Tudo bem, não quero te atrapalhar. Vai fundo que essa menina que você está falando eu já conheço: fácil. Conclui dando um apertão na bunda de Carlos.


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